2005/01/18

Mea Culpa

Vida!
Como te quero
Agora que te sei perdida!
Foste a minha riqueza
Desbaratada.
Em vez de te poupar,
Gastei-te sem saber o que fazia.
E não vivi.
Morri
Em cada hora cega que vivia.

São assim os humanos.
Temos quando não temos.
Quando já não podemos
Subir onde subimos
E onde nunca estivemos.

Triste, já nem aos deuses
Peço remissão
Do nefando pecado
De, em tantos anos de duração,
Ter durado
A ignorar em mim o meu condão
De milagre encarnado.



Miguel Torga