Peço-vos um trago de Jorge Palma
À sua estranha razão
ofereço um brinde
“Deixa-me rir
Que esta história não é tua”
Desenhada a lágrimas
ela volta à madrugada
onde
na tepidez ensanguentada dos lençóis
me suicidou de amor
Mergulhada no Passado
e esquecida do Presente
torna sagrada
a sua confissão
e deixa-nos sós
... num oblíquo solo
Perante a sua sincera mentira
quebrei as fronteiras
amarrei-me à solidão
... perdi-me
e perdido fiquei
pois assim me abandonou
Ela continuava aqui
onde quer que estivesse
tal como uma ferida antiga
que nunca sara
e abre... latejante...
... mas depois
matou e morreu
e debaixo de uma quimica luz
afastou-se
assim como eu
penosamente
me afastei
Tocava-me o seu perfume violeta
na seda dos meus sonhos
Doce prisão de vento
bordada a veludo
no meu peito de vitória
“Morrerias por mim ?”
Bafeja-a o silêncio
que depois desnuda
perante a delicadeza
da minha subtil vingança
“Anjo maravilhoso
Não te permites
existir aqui
À dor
que te ofereço
alcanças-me
uma caricia
Porquê ?”
Sorrio-lhe
mas nem isso ela entendeu
Pouco a pouco
testemunho a sua morte
fraca e febril
num novo silêncio
diferente
vazio
mas pleno de verdade
Fitavam-se os nossos olhos
até um estranho
e inquieto olhar
No brilho de uma lágrima
ela rolou
sobre um rosto pálido
e numa estrada de água
encontrou o caminho
dos meus lábios
Estendi a mão ao seu peito
“Acorda dentro de ti.”
... mas nem isso ela entendeu...
by Daniel
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