2006/01/04

Morreu António Gancho, 'poeta nocturno'

Nascido em Évora, em 1940, António Luís Valente Gancho morreu, na passada segunda feira, após 38 anos de internamento na Casa de Saúde do Telhal.
Constitui a sua obra, da editora Assirio Alvim, e que Herberto Helder classificaria de poesia intensa e de matriz surrealista (embora haja quem considere impossível etiquetá-lo), "quatro livros" num volume:

- O Ar da Manhã;
- Gaio do Espírito;
- Poesia Prometida;
- Poemas Digitais.

E ainda As Dioptrias de Elisa, já em filme (2002) realizado por António Escudeiro.



fotografia de Miguel Carvalhais















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www.dn.pt http://www.sensurround.pt/content/about/productions/theplays_pages/the_plays_forademim.html

Tanto tempo mãe para saber ao que nos cegam as coisas

Tanto tempo mãe para cá estar
para tratar da vida

para tratar da morte
para tratar de tudo.
Tanto tempo mãe com o tempo todo mudo.
Tanto tempo mãe tanto de tudo.
Quero exilar-me mãe

quero tratar
não me quero matar
quero a morte quando for morte
só quero a morte à dita sorte
de estar escrita na vida
mãe seja predita e diga-me mãe
para que foi tanto cansaço
tão pouco espaço
tanta falta de espaço
na vida.
Mãe, só a vida.
Vida, vida.