Surdo, subterrâneo rio de palavras
me corre lento pelo corpo todo;
amor sem margens onde a lua rompe
e nimba de luar o próprio lodo.
Correr do tempo ou só rumor do frio
onde o amor se perde e a razão de amar
--- surdo, subterrâneo, impiedoso rio,
para onde vais, sem eu poder ficar?
Eugénio de Andrade
O poeta Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas, nascido a 19 de Janeiro de 1923 na Póvoa de Atalaia, Fundão, morreu hoje, no Porto, aos 82 anos, vítima de doença prolongada
A sua obra poética e em prosa foi inúmeras vezes premiada (ex. Prémio Camões -2001)e está traduzida para alemão, asturiano, castelhano, catalão, chinês, francês, italiano, inglês, jugoslavo e russo.